Aprenda sobre acessibilidade

Objetivos de aprendizagem

Após concluir esta unidade, você estará apto a:

  • Descrever o movimento a favor dos direitos de portadores de deficiência.
  • Definir acessibilidade.
  • Explicar a acessibilidade digital e seus benefícios.
  • Reiterar exemplos de leis e diretrizes de acessibilidade.

Fique por dentro sobre o movimento a favor dos direitos de portadores de deficiência

Obrigado por optar por aprender mais sobre acessibilidade. Antes de nos aprofundarmos sobre o que é acessibilidade e sua relação com o contexto digital, falaremos sobre como chegamos a esse ponto. Assim como outros movimentos revolucionários a favor dos direitos civis, o movimento global a favor dos direitos de portadores de deficiência tem uma longa história com o ativismo desde os anos 1800. Muitos grupos ativistas criados para e por pessoas com deficiência moldaram a discussão global e ainda vêm lutando ativamente para promover e defender as liberdades civis de pessoas com deficiência.

O movimento a favor dos direitos de pessoas com deficiência nos Estados Unidos, o qual é inspirado no movimento pelos direitos civis, começou nos anos 60 e levou à primeira lei de direitos civis de pessoas com deficiência, Artigo 504 da Rehabilitation Act de 1973. Nas décadas seguintes, a IDEA (Individuals with Disabilities Education Act), ADA (Americans with Disabilities Act), e o Artigo 508 (diretrizes de tecnologia da informação) foram promulgados, sendo reconhecida a importância da igualdade de oportunidades para as pessoas com deficiência.

O movimento dos direitos de portadores de deficiência está obtendo grandes avanços na capacitação de portadores de deficiência. Parte deste movimento luta para que o acesso à informação e a capacidade de contribuir para o ambiente digital, que está em constante evolução, seja reconhecido como um direito fundamental, não um recurso de benevolência.

Nota

Nota

Nota: Este módulo utiliza o modelo social comumente adotado de deficiência e formas de tratamento e denominação. Na prática, sempre se refira ao indivíduo com relação à sua terminologia preferida.

O que é acessibilidade?

De um modo geral, a acessibilidade permite que as pessoas com uma variedade de competências utilizem produtos, serviços e instalações de forma independente. Na prática, acessibilidade é projetar para usuários com deficiência. Por que isso é importante? Globalmente, cerca de 300 milhões de pessoas apresentam algum tipo de deficiência visual e outros 500 milhões, aproximadamente, são surdas ou têm alguma deficiência auditiva. Milhões mais têm deficiências físicas, de fala, cognitivas e neurológicas, não incluindo limitações adicionais, como barreiras linguísticas. 

Embora este módulo concentre-se principalmente na acessibilidade digital, começaremos com uma discussão mais ampla sobre as categorias e as condições das deficiências, e como podemos promover igualdade de acesso a todos com capacidades diversas. Quase 1 em cada 5 possíveis usuários finais apresentam uma deficiência. As deficiências geralmente são definidas em cinco categorias básicas: visão, processo auditivo, capacidade física, capacidade cognitiva e fala. A maioria de nós já vivenciou algum tipo de deficiência ou problema de saúde similar em nossas vidas, como ter um braço fraturado ou estar em uma sala barulhenta ou com muito pouca iluminação.

Entendendo a acessibilidade digital

“O poder da web está na sua universalidade. O acesso de todos, independentemente da deficiência, é um aspecto essencial.” — Tim Berners-Lee, Diretor do W3C e inventor da World Wide Web 

A web remove barreiras de comunicação e interação que as pessoas enfrentam no ambiente físico. No entanto, quando sites, aplicativos e ferramentas da web não são projetados com a acessibilidade em mente, pessoas com determinados tipos de deficiência podem acabar ficando excluídas desse ambiente. A acessibilidade na web nada mais é do que promover às pessoas com diferentes capacidades a possibilidade de perceber, operar, navegar, entender e interagir na web, além de projetar, desenvolver e contribuir para o ambiente digital.

A acessibilidade digital beneficia a todos. O design universal de dispositivos assistenciais oferece recursos aprimorados para muitas pessoas. Nós subestimamos, por exemplo, as melhorias oferecidas por óculos e dispositivos de escuta assistida. Existem muitas outras tecnologias que ajudam as pessoas a acessar a web, sobre as quais falaremos posteriormente neste módulo. 

Quem se beneficia da acessibilidade?

A acessibilidade é essencial para pessoas com determinados tipos de deficiência, além de ser útil para todos. As rampas e guias rebaixadas, por exemplo, auxiliam muitas pessoas, incluindo aquelas que se locomovem em cadeiras de rodas, pais que empurram carrinhos de criança e ciclistas. A máquina de escrever e o telefone foram inventados para pessoas com deficiência, mas logo encontraram um uso mais amplo. Hoje em dia, todos podem aproveitar os benefícios dos ambientes adaptativos quando utilizam serviços de telefonia, aplicativos speech-to-text (de reconhecimento de voz) ou legendagem. 

Como a web é uma parte essencial de nossas vidas, é fundamental que seja acessível e ofereça igualdade de acesso e oportunidade a pessoas de diversas habilidades. Além do fato de que a acessibilidade na web pode ser exigida por lei, o fornecimento de produtos digitais acessíveis oferece benefícios tangíveis e intangíveis.

Oportunidade social

A acessibilidade digital permite oportunidades sociais. Uma empresa com políticas e práticas claras de acessibilidade demonstra seu compromisso com a responsabilidade social. Mais de um bilhão de pessoas com deficiências no mundo todo estão dispostas a criar um relacionamento com você enquanto clientes, parceiros, funcionários e participantes igualitários em atividades cívicas e sociais. Quando você projeta para a acessibilidade, isso costuma gerar melhorias na imagem da marca e na reputação da empresa, além de aumentar as vendas, a satisfação e fidelidade do cliente e a diversidade de funcionários.

Na Salesforce, a igualdade é um de nossos quatro valores essenciais. Queremos garantir que todos façam parte da quarta revolução industrial, incluindo nossos clientes e funcionários com deficiência. Internamente, contamos com um grupo de recursos de funcionários, o Abilityforce, o qual é focado na inclusão de deficiências, além de uma equipe em nossa organização de Experiência do Usuário voltada à acessibilidade dos produtos. 

Oportunidade comercial

Priorizar a acessibilidade digital resulta em benefícios comerciais complementares. Projetar para a acessibilidade impulsiona a inovação, uma vez que isso exige abordar as interações de uma perspectiva contextual e centrada em seres humanos. O design acessível é inerentemente flexível, fornecendo opções e recursos que permitem ao usuário interagir com a tecnologia de várias formas, em plataformas e dispositivos. Atualizar ou reprojetar tecnologia para que esta seja acessível e seguir outras melhores práticas reduz os custos de manutenção e serviço, bem como melhora a satisfação do cliente. 

Saiba mais sobre personas e histórias de usuários

À medida que você aprende sobre acessibilidade, é útil se familiarizar com as histórias de pessoas com diversas capacidades. Ao criar novos aplicativos, páginas da Web e outros produtos pensando em personas específicas, inclua personas que representam pessoas que se beneficiam da acessibilidade digital. As pessoas com deficiência são a grande minoria, sendo importante projetar e criar produtos que não excluam um segmento de sua população de usuários. 

Acessibilidade: é a lei

O gozo total e igualitário dos bens e serviços de um lugar de acesso público é um direito civil e legal para pessoas com deficiência. Resta uma questão jurídica de saber se a legislação em questão inclui sites e aplicativos móveis, já que não existiam quando a lei foi promulgada há cerca de 30 anos atrás. Atualmente, alguns tribunais concluíram que, se o site ou aplicativo móvel de uma empresa estiver inacessível a pessoas com deficiência, e essa inacessibilidade impedir o acesso aos produtos e serviços oferecidos pela empresa em um local físico de acesso público, então a empresa pode estar violando a lei. No entanto, nem o Congresso americano nem o governo federal apresentaram um parecer resoluto a respeito.

A Salesforce está empenhada em melhorar a acessibilidade em seus aplicativos empresariais sob demanda, incluindo a integração de tecnologia assistida, como software de reconhecimento de fala e leitores de tela. Nossas melhores práticas de acessibilidade são guiadas por padrões do setor (diretrizes de acessibilidade de conteúdo da web [WCAG]), e estamos em uma jornada para garantir que nossos usuários possam usar nossos produtos sem qualquer barreira. 

Das muitas leis e diretrizes de acessibilidade em vigor no mundo todo, as três abaixo foram particularmente influentes. 

A Americans with Disabilities Act (ADA). Essa lei de direitos civis foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 1990 e proíbe a discriminação com base na deficiência. A ADA se aplica a serviços governamentais estaduais e locais, empregadores e locais de acesso público. Além disso, vários tribunais já declararam que a ADA se aplica a sites e aplicativos móveis que afetam a capacidade de uma pessoa com deficiência de acessar o local físico de uma empresa de acesso público.     

Artigo 508. O Artigo 508 é uma lei federal que exige que órgãos federais tornem as suas tecnologias de informação e eletrônica (IET) acessíveis a pessoas com deficiência, sujeitos a certas exceções. A lei (29 U. S. C § 794 (d)) se aplica a todos os órgãos federais no tocante ao seu desenvolvimento, obtenção, manutenção ou uso de tecnologia da informação e eletrônica. É de responsabilidade dos órgãos federais fornecer aos funcionários com deficiências e membros acesso público a informações comparável ao acesso disponível a terceiros.

Diretrizes de Acessibilidade para Conteúdo Web (WCAG) 2.0/2.1. A WCAG define-se como um conjunto de diretrizes, elaborado e revisado por uma comunidade global de especialistas digitais, que tornam o conteúdo digital acessível a usuários com deficiência. As diretrizes da WCAG têm quatro princípios. 

  • Perceptível. Os usuários devem poder interpretar as informações apresentadas. As informações não podem ser invisíveis para todas as percepções de um usuário.
  • Operável. Os usuários devem poder operar a interface. A interface não pode exigir interação que um usuário não é capaz de realizar.
  • Compreensível. Os usuários devem poder entender as informações e a operação da interface de usuário. O conteúdo ou a operação não podem estar além do entendimento do usuário.
  • Robusto. Os usuários devem poder acessar o conteúdo usando uma ampla variedade de agentes de usuário, incluindo tecnologias assistenciais.

Outros países também acatam ou implementaram leis derivadas da WCAG 2.0, e adotaram sua própria legislação nacional de acessibilidade digital. Em junho de 2019, por exemplo, a European Accessibility Act (lei de acessibilidade europeia) inseriu um período de adoção de três anos para todos os países da União Europeia. Em 2000, o Japão decretou em lei o Basic Act on the Formation of an Advanced Information and Telecommunications Network Society (Lei de base sobre a formação de uma sociedade de redes de informação e telecomunicações avançadas), que equivale à WCAG 2.0. O Brasil aprovou a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, em 2015, que entrou totalmente em vigor em 2018.

Resumo

A Salesforce está empenhada em fornecer produtos acessíveis. Nessa unidade, você aprendeu sobre a história do movimento dos direitos das pessoas com deficiência e como ele continua a proteger e capacitar pessoas com deficiência. As deficiências se apresentam em diferentes categorias e condições, e conhecer pessoas com diversas capacidades nos ajuda a entender suas necessidades de acessibilidade. A acessibilidade digital beneficia a todos, independentemente da capacidade, e existem leis e normas que garantem o acesso universal à web. Na próxima unidade, você aprenderá como ser um campeão de acessibilidade.

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